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Ser motorista: uma tradição em família

Desde muito cedo, Jeferson Luiz Noval Seehaber já colecionava alegrias e desafios a partir da experiência em acompanhar o pai Vilmar, motorista de caminhão há muitos anos, em vários percursos na estrada.
Aos 24, decidiu que seguiria a mesma atividade. A primeira viagem foi para a Argentina, pela empresa Expresso Hércules, de Getúlio Vargas. “Algo muito legal, tive a oportunidade de conhecer as características de outro país. Aos poucos, aprendi a gostar e o trabalho tornou-se uma paixão. O pai me orientou a seguir outra profissão mas mesmo assim, persisti na ideia”, recorda.
Hoje, aos 40 anos de idade, o erebanguense comemora 16 na área, sendo quatro de forma autônoma, no transporte de cereais como milho, soja, malte, além de cerâmica, fertilizantes, ferro, máquinas, celulose, entre outros itens.
Mudanças na atividade
Com o passar do tempo, afirma Jeferson, foram observadas muitas mudanças no dia a dia de trabalho, inclusive na questão de pernoitar nos postos de gasolina. “Uma vez era permitido e hoje, em várias regiões, é preciso abastecer, caso contrário, não temos permissão de ficar. Isso torna tudo mais complicado”, relata, acrescentando que os desafios são enfrentados todos os dias, a exemplo dos riscos de acidentes em várias estradas ruins, assaltos e também alguns momentos de humilhação. “Nem por isso desistimos”, frisa.
Satisfação
Na avaliação do erebanguense, ser motorista é motivo de muito orgulho. “Movemos a economia desse país, mesmo com muitas situações de desvalorização. Não me importo com isso e sinto-me grato”, enfatiza.
Um dos aspectos positivos da vivência nas estradas, segundo Jeferson, é a renda, que nem sempre é boa, mas torna-se um dos estímulos, aliado ao apreço pelo trabalho. “Se não gostarmos do que estamos fazendo, nem saímos de casa. Vale salientar que há momentos bons de encontrar amigos, familiares e conhecidos em algum trajeto, e, ainda, visitar novos lugares. Todo dia há uma experiência diferente e isso conta muito”, reitera.
Paixão de família
Além do pai, Jeferson compartilha o amor pela profissão com os irmãos Peterson, Alisson e o tio Ademar. “Nossa família conta com vários motoristas. Meu irmão Alisson viajou comigo um tempo também. Porém, não vou incentivar meu filho a seguir na área. Vou convidá-lo para me acompanhar em viagens, para ele aprender e ver as dificuldades do cotidiano. Se ele quiser, vou apoiar e ajudar, mas vou motivá-lo a estudar e buscar algo diferente, que ele possa ficar mais tempo em casa. Quando somos solteiros, ficamos mais tranquilos mesmo há longas distâncias. No entanto, quando casamos e temos filho, saímos de casa com a estimativa de logo voltar”, declara.
Luta por mais reconhecimento
Na avaliação do erebanguense, mesmo sabendo que atua em uma área essencial, muitas pessoas acabam desistindo por falta de valorização. “Já observei o ingresso de jovens na área e, em seguida, eles mudaram de trabalho porque perceberam que não era o que esperavam”, pontua.
Jeferson diz que espera continuar trabalhando por conta própria para administrar melhor os horários e, também planeja renovar o veículo no futuro. Mais tarde, caso o filho queira trabalhar de motorista, ele pensa em investir em mais um caminhão.

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